Mostrando postagens com marcador dicas de filmes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dicas de filmes. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Filmes Sobre a Segunda Guerra Mundial - Parte II


O Triunfo da Vontade
(Triumph des Willens, 1935)

Documentário alemão dirigido por Leni Riefenstahl (uma moça, diga-se de passagem), cultuado pelos nazistas como a grande propaganda de sua nação, de seu líder e de seus ideais. Filmado em Nuremberg, o filme conta com 114 minutos de passeatas, discursos e imagens de soldados e cidadãos felizes, bem nutridos e em plena adoração de seus governantes.

É um filme interessante, embora cansativo. As imagens são tecnicamente bem feitas, mas algumas tomadas são visivelmente artificiais. Não é pra menos: a diretora teve carta branca até para fazer alterações estruturais na própria cidade a fim de concretizar suas ideias.





Um Barco e Nove Destinos
(Lifeboat, 1944)

Durante a Segunda Guerra, um confronto entre um navio americano e um alemão resulta em naufrágio. Sobreviventes do navio americano conseguem um bote e estão à deriva no Atlântico, com seus medos, traumas pessoais e idiossincrasias. Um último sobrevivente é, então, resgatado. O problema é que se trata de um soldado alemão...

Um grande filme do mestre Hitchcock, Um Barco e Nove Destinos é tenso, provocante e dramático. Com questionamentos bem atuais, o filme nos convida a um debate ético. 

Obrigatório!





Cartas de Iwo Jima e A Conquista da Honra
(Letters from Iwo Jima, 2006) (Flags From Our Fathers, 2006)

Até conhecer esse filme, nunca tinha me deparado com uma história tão bonita e comovente trazendo o outro lado da WWII. Tantos e tantos filmes narrando a bravura, os feitos e as perdas dos americanos, um ou outro dos franceses e russos... Mas nunca tinha visto um filme que mostrasse o lado humano dos japoneses. O ponto de vista não só dos generais, mas de um povo imerso numa cultura, numa política de idolatria. O ponto de vista de soldados que sentiram medo, fome, frio, saudade e dúvidas.

Hoje, depois de muito “cavucar” por aí (porque tem que “cavucar” mesmo pra achar alguma coisa fora do padrão hollywoodiano), tenho outras referências. Mas esse foi o primeiro que me cativou e merece ser indicado com várias estrelinhas.



Cartas de Iwo Jima foi lançado logo após A Conquista Da Honra, ambos dirigidos por Clint Eastwood. 

A Conquista da Honra também traz a batalha de Iwo Jima, mas, dessa vez, conta a história dos seis soldados americanos que ergueram a bandeira dos Estados Unidos, consolidando a tomada do território japonês.





Mephisto
(1981)

Fausto conta que Mephisto foi o homem que vendeu sua alma ao diabo (ou algo do gênero) para conseguir riquezas e conquistas pessoais. Portanto, ninguém poderia interpretá-lo nos palcos com mais maestria que Hendrik Hoefgan, ator alemão que cativa os militares nazistas com sua performance e sua oratória. Sustentar este apreço, no entanto, vai custar caro. Mas Hendrik, preenchido por seu narcisismo, não tem medo da conta...

Klaus Maria Brandauer dá um show de interpretação! Excelente!






Outros títulos que não podem ficar de fora:

O Menino do Pijama Listrado (The boy in the striped pyjamas, 2008)
Desejo e Reparação (Atonement, 2007)
O Resgate do Soldado Ryan (Saving private Ryan, 1998)



E por enquanto fico por aqui. Aguardem a terceira parte! Devagar e sempre!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

No random: dicas aleatórias


Pra retomar o blog, preciso retomar fôlego e readquirir o costume de organizar minhas listas que agora estão extremamente atrasadas. Hoje sugiro três filmes bem legais, violentos e polêmicos... Excelentes pra iniciar qualquer debate entre amigos em mesa de bar. 



Cão Branco
(White Dog, 1982)

Uma jovem atriz, Julie, resolve cuidar de um cachorro aparentemente abandonado. O cuidado se transforma em amor e lealdade quando ele a defende de um ataque. O que Julie não sabe é que o seu novo mascote é, na verdade, um white dog, animal treinado para atacar pessoas negras. Numa última tentativa de manter o animal vivo, Julie procura o único homem capaz de reprogramar a fera.

Baseado no livro de Roman Gary (que possui um final muito mais perturbador), Cão Branco é um filme interessante sobre o poder do preconceito e suas trágicas consequências. Causou grande tumulto numa época delicada e quase não foi lançado. Merece ser visto.






Guerra de Canudos 
(1997)

Final da década de 1890, tempos de estabelecimento da república brasileira. O novo regime político e a nova forma de estado adotada trazem ainda mais sofrimento e desespero para os nordestinos, flagelados pela seca e vítimas de leis arbitrárias e desiguais. A família de Luiza faz parte desse grupo sofrido que, um dia, conhece o líder religioso Antonio Conselheiro e resolve segui-lo, buscando o sonho de uma vida digna.

Guerra de Canudos não é tendencioso, como muitos filmes históricos. Seu tema principal é o sofrimento de um povo valente e esperançoso, mas castigado pelas intempéries da vida e trucidado pelas máquinas de ambição e fanatismo.

Grandes nomes do cinema nacional, como Cláudia Abreu, José Wilker (fantástico como Conselheiro), Selton Mello, Marieta Severo e Paulo Betti, transformam Guerra de Canudos numa obra tão tocante que chega a ser esmagadora.






Não É Mais Uma História de Amor
(Kærlighed på film, 2007)

Jonas é fotógrafo policial, casado, pai de dois filhos adoráveis e possui a rotina típica de qualquer membro da classe média dinamarquesa: trabalho, contas, casa... Até que certo dia, um trágico encontro com Julia o faz assumir uma nova identidade.

Suspense diferente e interessante, embora tenha algo de previsível. Faz pensar sobre a aparentemente eterna insatisfação que carregamos conosco, quase sempre negando as consequências de nossas próprias escolhas. 

Vale a pena conferir!





Por enquanto é só, pessoal. Vou preparando a segunda parte da série WWII e, com fé, espero postar em breve.

Bom estar de volta! :)






terça-feira, 20 de março de 2012

Filmes Sobre a Segunda Guerra Mundial - Parte I


(Faz de conta que aqui tem uma explanação clichê de cinco parágrafos sobre a Segunda Guerra Mundial. Se você ainda precisa de informações sobre o que é, por que houve e quando aconteceu, GOOGLE IT).

A influência da WWII para o cinema é inegável. Os nazistas, por exemplo, aproveitaram técnicas de diretores brilhantes para disseminar sua propaganda militarista e antissemita. Os americanos, um pouco mais sutis, foram mestres em agregar aliados aos seus interesses políticos e econômicos através das produções Hollywoodianas e do fortalecimento da figura icônica do "herói americano" (Capitão América, oi?).

São inúmeras as produções sobre a Segunda Guerra, de várias nacionalidades, incluindo todos os gêneros possíveis (exploitation, drama, aventura, documentário, animação, comédia... pode escolher!).

Tentarei indicar obras menos óbvias (meu esforço contínuo), mas no final de cada post sempre terá uma lista com os “clássicos-mais-clássicos”.

P.S. Série em homenagem ao meu paizão amado, minha enciclopédia viva. Sou sua fã! :*


A Face do Führer
(Der Fuehrer's Face, 1942)


Walt Disney produziu algumas animações bem interessantes sobre o nazismo. Usando seus personagens mais cativantes, as crianças passariam a compreender que a Alemanha era “má” e que estaria fadada a perder a guerra. Ironicamente, Disney é conhecido até hoje por ter sido antissemita.

O curta de animação A Face do Führer é bem engraçado e tem uma musiquinha que fica na cabeça durante horas. Estratégia inteligente, aliás. Pode ser conferido rapidinho no youtube.





Education for Death (1943)

Mais um dos Estúdios Disney, mas bem menos sutil que o anterior. Desta vez, acompanhamos a história de Hans, um garotinho alemão, precocemente arrancado dos braços da mãe para ser criado pelo regime nazista. Não achei nada engraçado, mas é bem interessante. Youtube, um beijo.




Moloch
(Molokh, 1999)

Aleksandr Sokurov, diretor russo (pra você que tem menos de 30 anos), é o idealizador da Tetralogia do Poder, série de filmes que utiliza os grandes mentores da II Guerra Mundial para explorar o tema. Moloch é o primeiro e acredito que, se a proposta do diretor for causar incômodo, ele começou com o pé direito.

Nos Alpes da Bavária, numa casa isolada, Eva Braun espera o seu amante, Hitler. Este chega acompanhado de Goebbels e Bormann, seus fiéis escudeiros. O Führer está estressado e necessita de repouso, então ninguém pode falar sobre política.

O filme é um verdadeiro tormento claustrofóbico, tenso pelo clima de loucura generalizada. Não assistiria de novo, mas recomendo pra quem tem mais paciência e um estômago mais forte que o meu.





O Sol
(The Sun, 2005)

O terceiro filme da tetralogia de Sokurov é bem mais suportável. Nele conhecemos a intimidade do Imperador Hirohito e sua postura diante da derrota e consequente ruína do Japão. É um filme triste, melancólico, mas muito bonito.

O encontro do Imperador com o General MacArthur é retratado de maneira muito interessante, quase como uma charge, ressaltando a face patética dos personagens de poder.

Os outros dois filmes da tetralogia são: Taurus (2001), sobre Lênin, e Fausto (2011), inspirado na obra de Goethe, sobre a natureza do Poder.




A Escolha de Sofia
(Sophie’s Choice, 1982)


Stingo é um jovem escritor que vai tentar a sorte em Nova Iorque e passa a viver na mesma pensão de Nathan e Sophie, que sustentam uma relação turbulenta, marcada por medos e obsessões. Convivendo com o casal, Stingo é apresentado ao passado cruel da bela Sophie, sobrevivente de um campo de concentração nazista.

Um filme triste sobre as atrocidades da guerra e suas consequências emocionais, mesmo após o término das batalhas. Com Meryl Streep e Kevin Kline, os dois maravilhosos nos papéis de Sophie e Nathan.





Outros títulos que não podem ficar de fora:

A Lista de Schindler (Schindler’s List, 1993)
A Vida é Bela (La Vita è Bella, 1997)
O Pianista (The Pianist, 2002)
Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009)





Até breve! 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Trilha Sonora: Assassinos Por Natureza (1994)



Sempre achei Assassinos por Natureza (NBK) um filmão, mas nunca havia reparado no tamanho da contribuição da trilha sonora pras várias sensações que o filme oferece. Aí a minha amiga Mariana Victor (Maricana para os íntimos), durante nosso feriado pelas bandas de Sobral, me fez perceber que eu simplesmente tinha que ver essa pérola de novo e, dessa vez, prestando atenção. Foi uma experiência muuuuito boa.

"Shit, man, I'm a natural born killer." 

Dirigido por Oliver Stone, NBK é um filme violento e atroz. Nos leva numa viagem alucinógena pela relação de Mickey e Mallory, dois jovens que tiveram suas vidas detonadas pelos pais e que resolvem sair pelo mundo levando caos e sangue.

Não existem mocinhos e bandidos. O filme faz questão de destacar a seguinte filosofia: vivemos num mundo podre e tudo que nos vem, é nossa culpa. Muitos críticos desacreditaram NBK por sua violência gratuita, mas a verdade é que o filme mostra o quanto podemos ser hipócritas e perversos enquanto espectadores de uma mídia sangrenta, fomentadora de paranóias.

"You know, the only thing that kills the demon... is love."
O roteiro original foi escrito por ninguém menos que Quentin Tarantino, mas foi quase completamente refeito e o autor até hoje não engole esse sapo.

Woody Harrelson e Juliette Lewis interpretam o perigoso casal, dignos de Oscar, by the way. Outros nomes interessantes fazem parte da bagunça como Robert Downey Jr., Tom Sizemore, Tommy Lee Jones e o inesquecível Rodney Dangerfield, no surpreendente papel do pai incestuoso de Mallory. 

"Mickey and Mallory know the difference between right and wrong; they just don't give a damn." 

E pra manter o clima de sedução, horror e violência, as músicas são perfeitas:

waiting for the miracle - leonard cohen


the way i walk - robert gordon


shitlist - L7


madame butterfly - puccini


leader of the pack - the shangri-las


rebel rouser - duane eddy


rock&roll nigger - patti smith


sweet jane - cowboy junkies


you belong to me - bob dylan


ted, just admit it - jane's addiction


something i can never have - nine inch nails


i put a spell on you - diamanda galas


cyclops - marilyn manson


E depois do Carnaval tem post especial WWII. Té lá!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Filmes Argentinos

E o resultado da enquete não deu outra: filmes argentinos! Fiquei feliz com a proposta, mas decididamente foi um desafio escolher os filmes que viriam pra cá. Não conheço nada muito underground, então ficaremos com os básicos indispensáveis, ok?

Uma curiosidade antecipada: vocês irão perceber, eventualmente, a presença do denominador comum de quase todos os filmes citados. O nome dele é Ricardo Darín, ator nascido em Buenos Aires, extremamente talentoso e que domina praticamente todos os grandes papéis do cinema argentino contemporâneo. É mole?


XXY (2007)

Alex é uma adolescente hermafrodita que mora num local isolado, no litoral do Uruguai. Os pais de Alex querem deixar em suas mãos a decisão sobre sua sexualidade, enquanto a adolescente experimenta os conflitos típicos de sua idade, com o agravante de ser alguém diferente num lugar tão provinciano.

É um filme muito lindo que merece ser visto com carinho. 




O Segredo dos Seus Olhos
(El secreto de sus ojos, 2009)

Benjamín Espósito é um agente federal argentino aposentado. Em busca de compreender melhor o que aconteceu durante uma investigação frustrada de assassinato ocorrida há 25 anos, Espósito resolve escrever um livro com suas memórias, o que o leva a um encontro com outras situações inacabadas de seu passado.

Afinal, O Segredo dos Seus Olhos é um filme de amor e de amizade, capaz de revoltar e provocar choro incontido até nos mais valentões. Mas, pode acreditar, não tem nada de melodramático.

Dos argentinos, esse é o meu queridinho.




O Filho da Noiva
(El hijo de la novia, 2001)

E aqui temos, mais uma vez, Ricardo Darín no papel principal.

Rafael já passou dos 40 e, com a crise argentina, sua cafeteria está indo de mal a pior. Pra completar a situação, seu pai resolve celebrar as bodas de prata com uma nova cerimônia de matrimônio. O problema é que a mãe de Rafa sofre de Alzheimer e o padre só celebrará o casório se ela disser “aceito” de livre e espontânea vontade. 

Uma comédia muito bonitinha, aclamada por muita gente como grande exemplo do novo momento do cinema argentino.

Obs: Fique atento! Professor Girafales é citado durante o filme! ÓTIMO!!!





O Que Você Faria?
(El método, 2005)

Esse eu recomendo pra todo mundo que trabalha com Recursos Humanos! Apesar de ser um thriller psicológico, eu ri DEMAIS assistindo, principalmente no final.

Uma determinada empresa promove um processo seletivo para um alto cargo executivo. Seus sete candidatos, no entanto, terão que passar por provas bem “inovadoras”, colocando em xeque seus valores pessoais e estruturas psicológicas.

Filmão obrigatório!




Aparecidos (2007)

Acho que é o único exemplar argentino do gênero horror que eu conheço. Mas é bonzinho! Vale a pena assistir.

Os irmãos Pablo e Malena decidem fazer uma viagem de carro, de Buenos Aires até a Patagônia, antes de assinar os papéis autorizando os médicos a desligarem os aparelhos que mantém seu pai vivo. Durante a viagem, Pablo descobre um diário que descreve horrores de seqüestro, assassinato e torturas acontecidas durante os anos 80. A partir daí, os irmãos são envolvidos num misterioso movimento de tempo, em que passado e presente se misturam, forçando-os a presenciar, repetidamente, o assassinato de uma família.

Um filme com um final um pouco confuso, mas até bem surpreendente.




Elsa & Fred
(Elsa y Fred, 2005)

Gracinha de comédia romântica, muito original e comovente!

Fred é um viúvo hipocondríaco, cheio de rabugice, que se muda para o mesmo prédio de Elsa, uma argentina espevitada, caloteira e apaixonada pela vida. Por obra do acaso, os dois iniciam um relacionamento cheio de descobertas, em plena terceira idade.

Muito gostoso esse filme. É daqueles pra guardar e assistir quando a vida parecer amarga demais. 




Outros títulos que não podem ficar de fora:

Abutres (Carancho, 2010)

Nove Rainhas (Nueve reinas, 2000)

A História Oficial (La historia oficial, 1985)

La Mujer Sin Cabeza, 2008

Um Conto Chinês (Um cuento chino, 2011)







quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Em Cena: Milan Kundera


Milan Kundera, escritor tcheco, nascido em 1929, produziu obras valiosas, como A Vida Está em Outro Lugar, A Imortalidade e A Valsa dos Adeuses. Mas o livro que trouxe grande popularidade mundial - e é o tema-chave desse post - foi o sensacional A Insustentável Leveza do Ser, publicado em 1984.

Com suas colocações ácidas sobre política e suas profundas reflexões existencialistas, Milan Kundera convida o leitor a compartilhar as alegrias e dores de seus personagens, que tão bem representam sua concepção de liberdade e existência.


"O mito do eterno retorno afirma, por negação, que a vida que desaparece de uma vez por todas, que não volta mais, é semelhante a uma sombra, não tem peso, está morta por antecipação, e por mais atroz, mais bela, mais esplêndida que seja, essa atrocidade, essa beleza, esse esplendor não têm o menor sentido." 



A história se passa em Praga, em 1968, e conta como um médico libertino, Tomas, se apaixona por Tereza, uma moça simples do interior, oprimida pela mãe. Como plano de fundo do turbulento relacionamento dos dois, a invasão russa à Tchecoslováquia.

A leveza de Tomas esbarra no peso existencial de Tereza, que se entrega completamente ao homem amado. Tomas e Tereza representam opostos muito significativos. O autor reflete o pensamento de Sartre sobre a implicação do homem no mundo como geradora de sentido para a própria existência. Esse sentido, obviamente, resulta num peso: o peso da responsabilidade.


“O homem, porque não tem senão uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese através de experimentos, de maneira que não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a um sentimento. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado."



Em 1988, Philip Kaufman dirigiu a versão do livro para os cinemas, com Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin nos papéis principais. É uma adaptação honesta, mas que não mereceu muitas atenções do autor, por considerá-la medíocre.


A Insustentável Leveza do Ser é um filme adorável, com bela fotografia e ambientação bastante adequada. Foram utilizados, em determinadas cenas, arquivos de imagens reais dos conflitos entre tchecos e soldados russos. 

O livro é uma experiência única! O filme é uma experiência comovente e agradável. Nesse caso, comece por onde quiser, mas conheça os dois.

"Aquilo que não é consequência de uma escolha não pode ser considerado nem mérito nem fracasso."


Té mais!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Filmes Espanhóis

Hoje é terça-feira, hora do resultado da enquete. Foram dias de tensão e pra alegria da minha querida amiga Cristine Castro, o vencedor foi o post sobre filmes espanhóis.

Não sei se preciso mesmo fazer tal comentário, mas vamos lá: Filmes espanhóis não incluem filmes mexicanos, argentinos, venezuelanos, etc. Então, se você estranhar a ausência do maravilhoso Amores Brutos (2000) e do belíssimo O Segredo dos Seus Olhos (2009), tá explicado.

O cinema espanhol é muito diversificado, embora tenha conquistado notoriedade após a consolidação na indústria cinematográfica de outros países europeus, como a França e a Alemanha. Atualmente, a Espanha continua produzindo obras marcantes, principalmente nos gêneros suspense e fantasia, que deixam qualquer cinéfilo babando.



O Habitante Incerto
(El Habitante Incierto, 2004)

Quem nunca teve medo de ficar só em casa, né mesmo? Agora... Quem já teve medo de NÃO estar só em casa? Pois é. Félix é um arquiteto que pensou cuidadosamente cada detalhe de sua enorme casa. Um dia, permite que um homem estranho use seu telefone e, após um momento de distração, o homem desaparece. A porta da casa está aberta, mas será que ele foi mesmo embora?

Adoro esse filme! É daqueles tão tensos que você tem vontade de dar forward só pra ver logo o que vai acontecer.

O diretor é o Guillem Morales, responsável também pelo filme Os Olhos de Julia (2010), que merece ser conferido.




Prisão de Cristal
(Tras El Cristal, 1987)

Prisão de Cristal é um filme muito interessante e diferente, dirigido por Agustí Villaronga. Conta a história de Klaus, um sádico pedófilo nazista que tenta, sem sucesso, cometer suicídio após assassinar cruelmente uma de suas vítimas. Klaus acaba paralítico, preso numa espécie de pulmão de vidro, dependente dos cuidados de sua mulher, Griselda, e de sua filha, Rena.

Cansada, Griselda resolve contratar alguém para ajudá-la nos cuidados com o marido. Daí surge um jovenzinho, que se diz enfermeiro, e parece muito interessado em Klaus. O quanto ele está interessado, ninguém imagina... Até que as intenções do rapaz são gradualmente reveladas.

Filme frio, tenso e nauseante. Não tenho como definir melhor. Mas é um filme que deve ser visto.




Pão Negro
(Pa Negre, 2010)

Pão Negro é do mesmo diretor de Prisão de Cristal, Agustí Villaronga. Você poderia perceber isso durante o filme por vários detalhes: crianças sofrendo o pão que o diabo amassou, uma visão pessimista sobre relacionamentos familiares baseados em segredos e mentiras, e o surgimento de uma sombra negra e pesada que destrói a inocência infantil. Tudo isso num clima pesado, frio e escuro. Tenso. Muito tenso.

O drama se passa na Espanha, mais precisamente no interior da Cataluña, durante os anos pós-guerra civil, e foca na vida de Andreu, um garotinho (do lado perdedor da guerra) que encontra os corpos de um homem e seu filho, e corre pra chamar a mãe. A partir daí, pra Andreu, vai tudo por água abaixo. As autoridades passam a responsabilizar seu pai pelas mortes e Andreu toma pra si a obrigação de provar sua inocência.

Acho que não vale dizer mais nada. O gostoso mesmo (embora “gostoso” esteja bem longe desse filme) é ir vivendo as situações junto com o personagem.

Imperdível. 




Mar Adentro (2004)

“Nara, qual é o teu filme favorito?”

Não sei. Só sei que, se eu fosse obrigada a escolher um, Mar Adentro estaria entre as maiores possibilidades de escolha. Porque, convenhamos, o que é o Javier Bardem, hein? Senhor... Conserva! É sempre um deleite ver esse homem atuando.

Mar Adentro, dirigido por Alejandro Amenábar, é um filme lindo, um encanto até mesmo nos momentos mais desesperadores. Baseado na história real de Ramón Sampedro, que passou anos lutando pelo direito de acabar com a própria vida, após sofrer um acidente (?) e ficar paralítico do pescoço para baixo.

O filme centraliza a atenção na relação de Ramón com duas mulheres: uma advogada, Julia, que apóia sua causa e tenta aprofundar seu conhecimento sobre ele, e a ajudante Rosa, uma mulher simples, que tenta convencê-lo do valor da vida.

Agora um pedacinho que traduz toda a beleza do filme:


“Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños,
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo;
es como penetrar al centro del universo:

El abrazo más pueril,
y el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos
en un único deseo:

Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos.”


Já estão chorando? Eu já.






Cela 211
(Celda 211, 2009)

Agora algo menos choroso, por favor, né? Cela 211 é um excelente filme de ação!

Juan está pronto para o seu primeiro dia de trabalho como carcereiro numa prisão de segurança máxima, mas ao chegar, sofre um acidente e fica inconsciente. Minutos depois, uma rebelião inicia e os colegas de Juan fogem, deixando-o desmaiado e abandonado na cela 211.

Quando Juan acorda, rapidamente percebe sua situação e adota a única estratégia que lhe parece possível: se passar por um dos detentos. Com essa nova identidade, Juan terá que apelar para a sorte e para a sua criatividade, porque o ambiente é perigoso e alianças precisam ser formadas se ele quiser sobreviver.

Muito, muito, muito bom! Daniel Monzón, estou de olho em você.





Abraços Partidos
(Los Abrazos Rotos, 2009)

Impossível falar de cinema espanhol sem citar pelo menos uma vez o grande gênio contemporâneo, Pedro Almodóvar. Não quero esticar muito porque pretendo fazer um post só com ele, óbvio.

Escolhi como representante do mestre uma produção menos óbvia, mas que é uma das minhas queridinhas. Abraços Partidos é um filme sobre amor e obsessão, vingança e redenção.

Harry Caine é um escritor cego que mora em Madri e é assessorado por Judit e seu filho, Diego. Quando Harry fica sabendo da morte de Ernesto Martel, um rico empresário, o seu passado começa a ecoar. Acompanhamos, então, a história de Mateo Blanco, nome verdadeiro de Harry, e seu trágico envolvimento amoroso com Lena, a amante de Ernesto.

Peço que você dê atenção especial pra cena das fotografias picotadas. É de partir o coração.




Abra os Olhos
(Abre los Ojos, 1997)

E Já que estamos falando de Penélope Cruz, eis outro filme imperdível.

Infelizmente, Abra os Olhos é conhecido apenas pelo seu remake americano, Vanilla Sky (2001), que também traz Penélope no papel de Sofia e é bonzinho. Mas sinceramente? Fique com o original que é bem melhor.

A história você já deve conhecer (se não conhece, saiba que você tem o meu desprezo): César, um jovem homem de sucesso, muito bonito, encontra o amor de sua vida, Sofia, durante sua festa de aniversário. Acontece que a ex-namorada de César, Nuria, não aceita o término e, ao convencer César a aceitar sua carona, joga o carro contra a parede numa tentativa de suicídio e assassinato. César sobrevive, mas seu rosto está permanentemente desfigurado.

Excelente filme também dirigido por Alejandro Amenábar (seu LINDO!), que merece ser valorizado e apreciado como a obra original que realmente é. Obrigatório! 




Viridiana (1961)

Almodóvar é o mestre do cinema espanhol contemporâneo? Sim, claro. Mas antes dele houve outro, talvez ainda maior: Luis Buñuel. Também irei mimá-lo devidamente num post especial.

Viridiana é uma mocinha muito bonita que está prestes a tornar-se freira, mas interrompe sua formação para atender ao chamado de seu tio, responsável por seu sustento, a quem Viridiana devota pouca afeição, mas considerável gratidão.

Ao chegar, a moça é assediada por seu tio, que vê nela a imagem perfeita de sua falecida esposa. Sem conseguir suportar a rejeição da sobrinha, o tio comete suicídio. Como herdeira, Viridiana busca redimir-se de sua culpa e cria um abrigo para mendigos na mansão do tio. Acontece que as coisas não vão sair exatamente como ela espera...

Difícil resumir Viridiana. É um filme tão denso, cheio de matizes importantes que abrem muitos espaços para interpretações. Posso dizer que, como todo filme do Buñuel, Viridiana é carregado de cinismo, humor negro, contravenções sociais, chacotas com a igreja católica e alfinetadas nos valores burgueses. Deliciosamente incorreto! 





Outros filmes obrigatórios:

El Dia de la Bestia (1995)
Cría Cuervos (1976)
Os Olhos da Cidade São Meus (Angustia, 1987)
O Quarto do Bebê (La habitación del niño, 2006)
Os Olhos de Julia (Los ojos de Julia, 2010)
A Espinha do Diabo (El espinazo del diablo, 2001)
O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno, 2006)
O Orfanato (El orfanato, 2007)


Espero que tenham gostado do post. No final da semana volto com novas dicas e uma nova enquete!

xxx