Documentário alemão dirigido por Leni
Riefenstahl (uma moça, diga-se de passagem), cultuado pelos nazistas como a
grande propaganda de sua nação, de seu líder e de seus ideais. Filmado em
Nuremberg, o filme conta com 114 minutos de passeatas, discursos e imagens de
soldados e cidadãos felizes, bem nutridos e em plena adoração de seus
governantes.
É um filme interessante, embora
cansativo. As imagens são tecnicamente bem feitas, mas algumas tomadas são visivelmente
artificiais. Não é pra menos: a diretora teve carta branca até para fazer
alterações estruturais na própria cidade a fim de concretizar suas ideias.
Um Barco e Nove Destinos
(Lifeboat, 1944)
Durante a Segunda Guerra, um
confronto entre um navio americano e um alemão resulta em naufrágio.
Sobreviventes do navio americano conseguem um bote e estão à deriva no
Atlântico, com seus medos, traumas pessoais e idiossincrasias. Um último
sobrevivente é, então, resgatado. O problema é que se trata de um soldado
alemão...
Um grande filme do mestre
Hitchcock, Um Barco e Nove Destinos é tenso, provocante e dramático. Com
questionamentos bem atuais, o filme nos convida a um debate ético.
Obrigatório!
Cartas de Iwo Jima e A Conquista da Honra
(Letters
from Iwo Jima, 2006) (Flags From Our Fathers, 2006)
Até conhecer esse filme, nunca
tinha me deparado com uma história tão bonita e comovente trazendo o outro lado
da WWII. Tantos e tantos filmes narrando a bravura, os feitos e as perdas dos
americanos, um ou outro dos franceses e russos... Mas nunca tinha visto um
filme que mostrasse o lado humano dos japoneses. O ponto de vista não só dos
generais, mas de um povo imerso numa cultura, numa política de idolatria. O
ponto de vista de soldados que sentiram medo, fome, frio, saudade e dúvidas.
Hoje, depois de muito “cavucar”
por aí (porque tem que “cavucar” mesmo pra achar alguma coisa fora do padrão
hollywoodiano), tenho outras referências. Mas esse foi o primeiro que me
cativou e merece ser indicado com várias estrelinhas.
Cartas de Iwo Jima foi lançado
logo após A Conquista Da Honra, ambos dirigidos por Clint Eastwood.
A Conquista
da Honra também traz a batalha de Iwo Jima, mas, dessa vez, conta a história
dos seis soldados americanos que ergueram a bandeira dos Estados Unidos,
consolidando a tomada do território japonês.
Mephisto
(1981)
Fausto conta que Mephisto foi o
homem que vendeu sua alma ao diabo (ou algo do gênero) para conseguir riquezas
e conquistas pessoais. Portanto, ninguém poderia interpretá-lo nos palcos com
mais maestria que Hendrik Hoefgan, ator alemão que cativa os militares nazistas
com sua performance e sua oratória. Sustentar este apreço, no entanto, vai
custar caro. Mas Hendrik, preenchido por seu narcisismo, não tem medo da
conta...
Klaus Maria Brandauer dá um show
de interpretação! Excelente!
Outros títulos que não podem ficar de fora:
O Menino do Pijama Listrado (The boy in the striped pyjamas, 2008)
Desejo e Reparação (Atonement, 2007)
O Resgate do Soldado Ryan (Saving private Ryan, 1998)
E por enquanto fico por aqui. Aguardem a terceira parte! Devagar e sempre!
(Faz de conta que aqui tem uma explanação clichê de cinco parágrafos sobre a Segunda Guerra Mundial. Se você ainda precisa de informações sobre o que é, por que houve e quando aconteceu, GOOGLE IT).
A influência da WWII para o cinema é inegável. Os nazistas, por exemplo, aproveitaram técnicas de diretores brilhantes para disseminar sua propaganda militarista e antissemita. Os americanos, um pouco mais sutis, foram mestres em agregar aliados aos seus interesses políticos e econômicos através das produções Hollywoodianas e do fortalecimento da figura icônica do "herói americano" (Capitão América, oi?).
São inúmeras as produções sobre a Segunda Guerra, de várias nacionalidades, incluindo todos os gêneros possíveis (exploitation, drama, aventura, documentário, animação, comédia... pode escolher!).
Tentarei indicar obras menos óbvias (meu esforço contínuo), mas no final de cada post sempre terá uma lista com os “clássicos-mais-clássicos”.
P.S. Série em homenagem ao meu paizão amado, minha enciclopédia viva. Sou sua fã! :*
A Face do Führer
(Der Fuehrer's Face, 1942)
Walt Disney produziu algumas animações bem interessantes sobre o nazismo. Usando seus personagens mais cativantes, as crianças passariam a compreender que a Alemanha era “má” e que estaria fadada a perder a guerra. Ironicamente, Disney é conhecido até hoje por ter sido antissemita.
O curta de animação A Face do Führer é bem engraçado e tem uma musiquinha que fica na cabeça durante horas. Estratégia inteligente, aliás. Pode ser conferido rapidinho no youtube.
Education for Death (1943)
Mais um dos Estúdios Disney, mas bem menos sutil que o anterior. Desta vez, acompanhamos a história de Hans, um garotinho alemão, precocemente arrancado dos braços da mãe para ser criado pelo regime nazista. Não achei nada engraçado, mas é bem interessante. Youtube, um beijo.
Moloch
(Molokh, 1999)
Aleksandr Sokurov, diretor russo (pra você que tem menos de 30 anos), é o idealizador da Tetralogia do Poder, série de filmes que utiliza os grandes mentores da II Guerra Mundial para explorar o tema. Moloch é o primeiro e acredito que, se a proposta do diretor for causar incômodo, ele começou com o pé direito.
Nos Alpes da Bavária, numa casa isolada, Eva Braun espera o seu amante, Hitler. Este chega acompanhado de Goebbels e Bormann, seus fiéis escudeiros. O Führer está estressado e necessita de repouso, então ninguém pode falar sobre política.
O filme é um verdadeiro tormento claustrofóbico, tenso pelo clima de loucura generalizada. Não assistiria de novo, mas recomendo pra quem tem mais paciência e um estômago mais forte que o meu.
O Sol
(The Sun, 2005)
O terceiro filme da tetralogia de Sokurov é bem mais suportável. Nele conhecemos a intimidade do Imperador Hirohito e sua postura diante da derrota e consequente ruína do Japão. É um filme triste, melancólico, mas muito bonito.
O encontro do Imperador com o General MacArthur é retratado de maneira muito interessante, quase como uma charge, ressaltando a face patética dos personagens de poder.
Os outros dois filmes da tetralogia são: Taurus (2001), sobre Lênin, e Fausto (2011), inspirado na obra de Goethe, sobre a natureza do Poder.
A Escolha de Sofia
(Sophie’s Choice, 1982)
Stingo é um jovem escritor que vai tentar a sorte em Nova Iorque e passa a viver na mesma pensão de Nathan e Sophie, que sustentam uma relação turbulenta, marcada por medos e obsessões. Convivendo com o casal, Stingo é apresentado ao passado cruel da bela Sophie, sobrevivente de um campo de concentração nazista.
Um filme triste sobre as atrocidades da guerra e suas consequências emocionais, mesmo após o término das batalhas. Com Meryl Streep e Kevin Kline, os dois maravilhosos nos papéis de Sophie e Nathan.
Hoje é terça-feira, hora do resultado da enquete. Foram dias de tensão e pra alegria da minha querida amiga Cristine Castro, o vencedor foi o post sobre filmes espanhóis.
Não sei se preciso mesmo fazer tal comentário, mas vamos lá: Filmes espanhóis não incluem filmes mexicanos, argentinos, venezuelanos, etc. Então, se você estranhar a ausência do maravilhoso Amores Brutos (2000) e do belíssimo O Segredo dos Seus Olhos (2009), tá explicado.
O cinema espanhol é muito diversificado, embora tenha conquistado notoriedade após a consolidação na indústria cinematográfica de outros países europeus, como a França e a Alemanha. Atualmente, a Espanha continua produzindo obras marcantes, principalmente nos gêneros suspense e fantasia, que deixam qualquer cinéfilo babando.
O Habitante Incerto
(El Habitante Incierto, 2004)
Quem nunca teve medo de ficar só em casa, né mesmo? Agora... Quem já teve medo de NÃO estar só em casa? Pois é. Félix é um arquiteto que pensou cuidadosamente cada detalhe de sua enorme casa. Um dia, permite que um homem estranho use seu telefone e, após um momento de distração, o homem desaparece. A porta da casa está aberta, mas será que ele foi mesmo embora?
Adoro esse filme! É daqueles tão tensos que você tem vontade de dar forward só pra ver logo o que vai acontecer.
O diretor é o Guillem Morales, responsável também pelo filme Os Olhos de Julia (2010), que merece ser conferido.
Prisão de Cristal
(Tras El Cristal, 1987)
Prisão de Cristal é um filme muito interessante e diferente, dirigido por Agustí Villaronga. Conta a história de Klaus, um sádico pedófilo nazista que tenta, sem sucesso, cometer suicídio após assassinar cruelmente uma de suas vítimas. Klaus acaba paralítico, preso numa espécie de pulmão de vidro, dependente dos cuidados de sua mulher, Griselda, e de sua filha, Rena.
Cansada, Griselda resolve contratar alguém para ajudá-la nos cuidados com o marido. Daí surge um jovenzinho, que se diz enfermeiro, e parece muito interessado em Klaus. O quanto ele está interessado, ninguém imagina... Até que as intenções do rapaz são gradualmente reveladas.
Filme frio, tenso e nauseante. Não tenho como definir melhor. Mas é um filme que deve ser visto.
Pão Negro
(Pa Negre, 2010)
Pão Negro é do mesmo diretor de Prisão de Cristal, Agustí Villaronga. Você poderia perceber isso durante o filme por vários detalhes: crianças sofrendo o pão que o diabo amassou, uma visão pessimista sobre relacionamentos familiares baseados em segredos e mentiras, e o surgimento de uma sombra negra e pesada que destrói a inocência infantil. Tudo isso num clima pesado, frio e escuro. Tenso. Muito tenso.
O drama se passa na Espanha, mais precisamente no interior da Cataluña, durante os anos pós-guerra civil, e foca na vida de Andreu, um garotinho (do lado perdedor da guerra) que encontra os corpos de um homem e seu filho, e corre pra chamar a mãe. A partir daí, pra Andreu, vai tudo por água abaixo. As autoridades passam a responsabilizar seu pai pelas mortes e Andreu toma pra si a obrigação de provar sua inocência.
Acho que não vale dizer mais nada. O gostoso mesmo (embora “gostoso” esteja bem longe desse filme) é ir vivendo as situações junto com o personagem.
Imperdível.
Mar Adentro (2004)
“Nara, qual é o teu filme favorito?”
Não sei. Só sei que, se eu fosse obrigada a escolher um, Mar Adentro estaria entre as maiores possibilidades de escolha. Porque, convenhamos, o que é o Javier Bardem, hein? Senhor... Conserva! É sempre um deleite ver esse homem atuando.
Mar Adentro, dirigido por Alejandro Amenábar, é um filme lindo, um encanto até mesmo nos momentos mais desesperadores. Baseado na história real de Ramón Sampedro, que passou anos lutando pelo direito de acabar com a própria vida, após sofrer um acidente (?) e ficar paralítico do pescoço para baixo.
O filme centraliza a atenção na relação de Ramón com duas mulheres: uma advogada, Julia, que apóia sua causa e tenta aprofundar seu conhecimento sobre ele, e a ajudante Rosa, uma mulher simples, que tenta convencê-lo do valor da vida.
Agora um pedacinho que traduz toda a beleza do filme:
“Mar adentro, mar adentro, y en la ingravidez del fondo donde se cumplen los sueños, se juntan dos voluntades para cumplir un deseo.
Un beso enciende la vida con un relámpago y un trueno, y en una metamorfosis mi cuerpo no es ya mi cuerpo; es como penetrar al centro del universo:
El abrazo más pueril, y el más puro de los besos, hasta vernos reducidos en un único deseo:
Tu mirada y mi mirada como un eco repitiendo, sin palabras: más adentro, más adentro, hasta el más allá del todo por la sangre y por los huesos.
Pero me despierto siempre y siempre quiero estar muerto para seguir con mi boca enredada en tus cabellos.”
Já estão chorando? Eu já.
Cela 211
(Celda 211, 2009)
Agora algo menos choroso, por favor, né? Cela 211 é um excelente filme de ação!
Juan está pronto para o seu primeiro dia de trabalho como carcereiro numa prisão de segurança máxima, mas ao chegar, sofre um acidente e fica inconsciente. Minutos depois, uma rebelião inicia e os colegas de Juan fogem, deixando-o desmaiado e abandonado na cela 211.
Quando Juan acorda, rapidamente percebe sua situação e adota a única estratégia que lhe parece possível: se passar por um dos detentos. Com essa nova identidade, Juan terá que apelar para a sorte e para a sua criatividade, porque o ambiente é perigoso e alianças precisam ser formadas se ele quiser sobreviver.
Muito, muito, muito bom! Daniel Monzón, estou de olho em você.
Abraços Partidos
(Los Abrazos Rotos, 2009)
Impossível falar de cinema espanhol sem citar pelo menos uma vez o grande gênio contemporâneo, Pedro Almodóvar. Não quero esticar muito porque pretendo fazer um post só com ele, óbvio.
Escolhi como representante do mestre uma produção menos óbvia, mas que é uma das minhas queridinhas. Abraços Partidos é um filme sobre amor e obsessão, vingança e redenção.
Harry Caine é um escritor cego que mora em Madri e é assessorado por Judit e seu filho, Diego. Quando Harry fica sabendo da morte de Ernesto Martel, um rico empresário, o seu passado começa a ecoar. Acompanhamos, então, a história de Mateo Blanco, nome verdadeiro de Harry, e seu trágico envolvimento amoroso com Lena, a amante de Ernesto.
Peço que você dê atenção especial pra cena das fotografias picotadas. É de partir o coração.
Abra os Olhos
(Abre los Ojos, 1997)
E Já que estamos falando de Penélope Cruz, eis outro filme imperdível.
Infelizmente, Abra os Olhos é conhecido apenas pelo seu remake americano, Vanilla Sky (2001), que também traz Penélope no papel de Sofia e é bonzinho. Mas sinceramente? Fique com o original que é bem melhor.
A história você já deve conhecer (se não conhece, saiba que você tem o meu desprezo): César, um jovem homem de sucesso, muito bonito, encontra o amor de sua vida, Sofia, durante sua festa de aniversário. Acontece que a ex-namorada de César, Nuria, não aceita o término e, ao convencer César a aceitar sua carona, joga o carro contra a parede numa tentativa de suicídio e assassinato. César sobrevive, mas seu rosto está permanentemente desfigurado.
Excelente filme também dirigido por Alejandro Amenábar (seu LINDO!), que merece ser valorizado e apreciado como a obra original que realmente é. Obrigatório!
Viridiana (1961)
Almodóvar é o mestre do cinema espanhol contemporâneo? Sim, claro. Mas antes dele houve outro, talvez ainda maior: Luis Buñuel. Também irei mimá-lo devidamente num post especial.
Viridiana é uma mocinha muito bonita que está prestes a tornar-se freira, mas interrompe sua formação para atender ao chamado de seu tio, responsável por seu sustento, a quem Viridiana devota pouca afeição, mas considerável gratidão.
Ao chegar, a moça é assediada por seu tio, que vê nela a imagem perfeita de sua falecida esposa. Sem conseguir suportar a rejeição da sobrinha, o tio comete suicídio. Como herdeira, Viridiana busca redimir-se de sua culpa e cria um abrigo para mendigos na mansão do tio. Acontece que as coisas não vão sair exatamente como ela espera...
Difícil resumir Viridiana. É um filme tão denso, cheio de matizes importantes que abrem muitos espaços para interpretações. Posso dizer que, como todo filme do Buñuel, Viridiana é carregado de cinismo, humor negro, contravenções sociais, chacotas com a igreja católica e alfinetadas nos valores burgueses. Deliciosamente incorreto!
Outros filmes obrigatórios:
El Dia de la Bestia (1995)
Cría Cuervos (1976)
Os Olhos da Cidade São Meus (Angustia, 1987)
O Quarto do Bebê (La habitación del niño, 2006)
Os Olhos de Julia (Los ojos de Julia, 2010)
A Espinha do Diabo (El espinazo del diablo, 2001)
O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno, 2006)
O Orfanato (El orfanato, 2007)
Espero que tenham gostado do post. No final da semana volto com novas dicas e uma nova enquete!
Eu não sei vocês, mas tô precisando de férias. Então deixo aqui algumas dicas de filmes legais que vi em 2011 pra vocês curtirem no "feriadão" e, em 2012, voltarei com o post escolhido na enquete. Aliás, alguém pode desempatar, por favor? Grata.
Bravura Indômita
(True Grit, 2010)
Esse, embora conhecido, não entra no rol dos “óbvios” de 2011 porque, pra mim, não é nada óbvio. É tão raro encontrar um remake que seja tão bom quanto o original, imagina encontrar um que seja AINDA MELHOR? Pois é.
O filme dos irmãos Coen conta a aventura de Mattie, uma garota de 14 anos, que parte em busca do assassino de seu pai, na companhia de um agente federal bêbado e um ranger texano almofadinha. Entre desentendimentos, muitas balas e piadas brutas, os três conseguem estabelecer um laço de amizade bastante peculiar. Bravura Indômita é um filme muito divertido sobre honra, determinação e redenção.
Todos os personagens são profundos e curiosos. Matt Damon (ranger LaBouef) e Josh Brolin (o vilão Tom Chaney) casam seus papéis perfeitamente. Jeff Bridges, no papel do agente Rooster, deve ter ajudado John Wayne a descansar em paz. Já a bonitinha Hailee Steinfeld superou todas as expectativas desempenhando muito bem a nova versão de Mattie Ross.
"You must pay for everything in this world, one way and another. There is nothing free except the grace of God."
Os Duelistas
(The Duellists, 1977)
Como um evento aparentemente sem importância pode gerar repercussões tão sérias? Uma palavra errada, um gesto em falso, e duas vidas sem unem numa eternidade de vingança. Esse é o tema de Os Duelistas, dirigido por Ridley Scott (O Gângster e Gladiador).
Quando o tenente D’Hurbet (Keith Carradine) procura o tentente Feraud (Harvey Keitel) para dar-lhe ordem de prisão, imaginava estar apenas cumprindo seu dever militar. Mas para o temperamental Feraud a afronta da intimação é demais: exige um duelo. Esse será apenas o primeiro de uma série de duelos entre os dois personagens, ao longo da trajetória da Era Napoleônica.
Vale dizer que o filme é repleto de imagens belíssimas! A reconstituição da época é quase impecável e as paisagens são deslumbrantes. A simplicidade do enredo não empobrece o filme, mas permite uma apreciação leve e prazerosa da obra como um todo. Excelente!
"The duellist demands satisfaction. Honour, for him, is an appetite. This story is about an eccentric kind of hunger."
Enrolados
(Tangled, 2010)
Já disse e repito: sou fã de animações. Acho que assisti Enrolados umas 4 vezes esse ano. É muito bom!
O filme é basicamente uma adaptação da já conhecida fábula infantil “Rapunzel”, só que com toques modernosos, uma princesinha bipolar e um herói sem muito caráter. O bacana da história é que traz um tema interessante pros grandinhos também: a dificuldade de romper com os laços parentais e dar conta de si no mundo. A liberdade assusta e demanda responsabilidade, essa é a mensagem do filme.
Acho que posso confessar um dos meus “guilty pleasures”: acho a Mandy Moore uma fofa! #abafa
"Skip the drama, stay with Mama!"
Os Olhos Sem Rosto
(Les yeux sans visage, 1960)
Depois que vi o filme A Pele Que Habito, passei um tempão tendo aquela sensação chata de “poxa, já vi isso antes!”. E me dei conta de que já vi mesmo, e não só uma vez.
Os Olhos Sem Rosto tem um enredo muito semelhante. Dr. Génessier, um famoso cirurgião, com a ajuda de sua fiel assistente Louise, tem o hábito de seqüestrar mocinhas bonitas. O objetivo do médico é achar a forma perfeita de realizar um transplante de rosto em sua filha, Christiane, cujas feições foram destruídas em um terrível acidente. O problema é que as cirurgias falham sempre e as vítimas sempre padecem, mas o Dr. Génessier é um homem muito persistente...
Filmão que tem o mérito de ter todo o figurino assinado por Givenchy (o que não é pouca coisa) e ter inspirado a música Eyes Without a Face, do Billy Idol.
P.S.: Um enredo semelhante também pode ser visto no episódio “The Girl With The Blue Mask” do extinto seriado Criminal Minds – Suspect Behavior, um spin-off bem ruinzinho de Criminal Minds, mas que conseguiu fazer pelo menos esse episódio bacana.
"The future, Madame, is something we should have started on a long time ago."
E por hoje é só, pessoas. Feliz Natal pra todo mundo e não deixem de ver o clássico Turma da Mônica e A Estrelinha Mágica!! Bisous!
Stephen King: americano residente do Maine, autor de inúmeros livros geniais que são verdadeiros tesouros da literatura contemporânea. Exagero? Acho que não.
Contar uma história real ou narrar um evento fictício provável, exige que o autor saiba fazer bom uso das palavras e tenha capacidade de seduzir através de sua perspectiva. Mas pegar um tema totalmente absurdo e risível e transformá-lo em algo assustador, isso, meus amigos, é só pra quem PODE.
E esse poder é tão particular dos livros do Stephen King que 90% do que ele escreveu já virou filme, entre curtas, blockbusters e muita coisa ruim. Justamente porque é extremamente difícil traduzir em imagens o que o autor nos conduz a imaginar, e não é preciso estudar psicologia pra entender que o poder da imaginação é mais forte do que qualquer estímulo externo.
Não caia na bobagem de julgar um livro pela capa (hahaha): King também é um excelente romancista dramático e cômico.
Se você não acredita em mim, eis aqui uma relação de filmes que poderão convencer:
Conta Comigo
(Stand By Me, 1986)
Filme que marcou muita gente! Conta a história de um escritor que relembra fatos marcantes de um determinado verão de sua infância, em que ele e seus amigos partem numa aventura em busca do corpo de um menino morto.
Dirigido por Rob Reiner (o mesmo de Isto é Spinal Tap, 1984), o filme é muito fiel ao conto O Corpo, publicado no livro Quatro Estações. Não tem nada de sobrenatural, mas é encantador pela profundidade com que aborda temas difíceis, como o luto infantil e a passagem para a adolescência.
Um Sonho de Liberdade
(The Shawshank Redemption, 1994)
Andy Dufresne (Tim Robbins) foi preso injustamente e agora deve se adaptar ao sistema prisional. Para ajudá-lo ao longo dos anos, conta apenas com seus valores pessoais, seu novo amigo Red (Morgan Freeman) e o sonho persistente de ganhar sua liberdade.
Baseado no conto Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank, também do livro Quatro Estações. Filme comovente e surpreendente (pra quem não leu o livro, óbvio), até hoje é sucesso garantido nas locadoras e faz a felicidade de muitas professoras de Psicologia Institucional mundo afora.
O diretor Frank Darabont também é responsável pelo excelente À Espera de um Milagre e pelo mediano O Nevoeiro (2007), ambos baseados em obras do Stephen King. Pra arrematar, o cara também assina a série The Walking Dead, que explodiu ano passado e já está repetindo o sucesso com a segunda temporada.
À Espera de um Milagre
(The Green Mile, 1999)
Do livro homônimo, a história se passa em 1935, numa prisão no estado de Louisiana, onde o guarda Paul Edgecomb (Tom Hanks) e seus companheiros são responsáveis pelos prisioneiros condenados à morte. Estranhos acontecimentos iniciam após a chegada de John Coffey (Michael Clark Duncan), um enorme homem negro, acusado de violentar e matar duas menininhas brancas.
Uma história muito bonita e comovente, daquele tipo que traz lições de vida claras e importantes, mas em que o choro é inevitável.
Cujo (1983)
Agora vamos partir pro hardcore!
Sabe aquele São Bernardo, cachorrão lindo que todo mundo acha fofo e cuti-cuti? Imagine agora um desses “bichinhos” traumatizado por maus tratos e doente, com raiva. Isso é o que Donna Trenton (Dee Wallace) e seu filhote encontram quando chegam à isolada oficina onde Cujo mora e, agora, seu único refúgio é dentro de um carro quebrado. Acontece que o verão está bastante quente e Cujo é um cachorrinho impaciente...
Cujo ocupa lugar cativo na minha lista Os Melhores Filmes de Terror EVER. Com um roteiro simples e uma ambientação mais simples ainda, o filme consegue criar uma atmosfera de puro desespero e claustrofobia.
Aliás, um bom título nacional para Cujo seria “Beethoven Volta do Inferno”. O livro tem o mesmo nome do filme e, se possível, é ainda melhor!
Louca Obsessão
(Misery, 1990)
Suspense de deixar qualquer lábio roxo por falta de oxigenação, Louca Obsessão traz James Caan no papel de Paul Sheldon, um escritor que sofre um estranho acidente de carro e é resgatado por uma enfermeira, Annie Wilkes, sua “fã nº 1”. Annie leva seu novo paciente até sua casa, num lugarzinho aconchegante e isolado, onde fará questão de cuidar para que Paul dê ao seu último livro um final mais apropriado, nem que ela tenha que forçá-lo a isso.
Kathy Bates merece destaque pelo papel de Annie Wilkes. Uma psicopata apavorante e ainda assim digna de pena.
Rob Reiner também assina a direção desse filmão baseado no livro de mesmo nome.
Carrie, A Estranha
(Carrie, 1976)
Já que bullying é um tema tão atual, taí um filme que poderia ser passado nas escolas como excelente conscientizador! Ok, brincadeirinha...
Dirigido por Brian de Palma (Scarface, 1983), o filme conta a história de uma adolescente, Carrie, que sofre o pão que o diabo amassou em casa e na escola. Com a chegada da primeira menstruação, Carrie se dá conta de que possui alguns “talentos” e não vai pensar duas vezes antes de usá-los contra seus ofensores.
Excelente filme baseado num livro fantástico! Ganhou uma continuação tosca em 1999, A Maldição de Carrie.
Colheita Maldita
(Children of the Corn, 1984)
Clássico do horror, imperdível pra quem gosta do gênero.
Um casal viajante se perde e acaba chegando numa cidadezinha chamada Gatlin. Seria um lugarzinho como qualquer outro pelo interior de Nebraska, não fosse o fato de todos os adultos terem sido assassinados. Agora a cidade é dominada por um grupo de crianças e seu líder, Isaac, adoradores de uma força misteriosa que habita o milharal.
O filme é muito bom, embora seja um pouco distante do conto original, As Crianças do Milharal, publicado no livro Sombras da Noite. Foram feitas cinco continuações sofríveis da proposta inicial e, finalmente, em 2009 um remake bem mais fiel ao conto, embora com um Isaac decepcionante.
Cemitério Maldito
(Pet Sematary, 1989)
Acho que durante a minha infância vi esse filme umas 20 vezes. Era assustador demais, demais, demais! E quando cresci e descobri o livro, quase tive um ataque: era ainda mais terrível! Escondia embaixo do travesseiro e tinha medo de olhar até pra capa. #confessionário
O filme conta a história dos Creeds, uma família americana bonitinha e feliz que se muda pra uma casa ainda mais bonitinha e feliz, com apenas um contratempo: fica perto demais de um antigo cemitério indígena. Reza a lenda entre os moradores que quem for enterrado nesse cemitério, voltará a viver. Conveniente para os Creeds, afinal, a casa fica próxima demais de uma rodovia muito movimentada e acidentes acontecem...
Em 1992 foi feita uma continuação, Cemitério Maldito 2, que nem é tão ruim.
Olhos de Gato
(Cat’s Eye, 1985)
Três histórias são ligadas por um elemento em comum: um gato vira-lata. Na primeira, um homem submete-se a um tratamento nada convencional para conseguir se livrar do vício em cigarros. Na segunda, dois homens dividem o amor da mesma mulher e resolvem lidar com a questão fazendo uma aposta muito alta (adoro essas piadinhas internas). Na terceira, o gatinho que aparece o tempo inteiro no filme finalmente consegue abrigo e terá que salvar sua nova dona das garras de um visitante maldito.
O filme é divertido, mas os contos são memoráveis. Aliás, o livro Sombras da Noite é excelente pra quem quer começar a ler Stephen King, pois oferece vários nuances do autor.
A pequena Drew Barrymore participa de mais um filme baseado no autor, um ano após ter estrelado Vingança em Chamas.
Dica: Atualmente você poderá conferir Stephen King na TV, na série Haven, que tem tido boa aprovação do público.
Dica II:Stephen King imita uma das gracinhas do Hitchcock: adora aparecer em pequenas pontas nos seus filmes.
Outros títulos que não podem faltar:
O Iluminado, 1980 (Livro: homônimo)
O Aprendiz, 1998 (Livro: Quatro Estações)
Christine, o carro assassino, 1983 (Livro: Christine)
Às Vezes Eles Voltam, 1991 (Livro: Sombras da Noite)
Lembranças de um Verão, 2001 (Livro: homônimo)
Série: Pesadelos e Paisagens Noturnas, 2006 (Livro: homônimo)